Novembro 11, 2009...12:27 am

Culinária que se faz em casa para ninguém

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Tenho uma estaca cravada na consciência desde o tempo da infância. O cara era meio abobado, só que era uma pessoa boa. Eu estava com fome e ele me alcançou um saco com salgadinhos. Deixei a casa do meu amigo e meti um salgadinho na boca. Estava velho.

Um a um, como se fosse João e Maria na floresta, os salgadinhos foram sendo deixados no chão. Quase até o caminho de casa foi a caravana de salgadinhos em fila indiana.

Ele me deu salgadinhos velhos. Eu podia ter jogado o saco fora, mas fiz uma trilha. Talvez para que ele visse e se sentisse punido.

SUBTÍTULO DE “CULINÁRIA”

A VINGANÇA DA SORTE

Tem umas receitas que pratico. Tem uns que gostavam muito do meu sanduíche hiperequipado. No meio havia pequenos pedaços de ingredientes absurdos que davam um gosto bem de leve de algo impensável ao sanduíche. Adoravam.

Depois veio o saladão gordo. Uma salada com ingredientes tão possantes quanto uma churrascada. Havia quem pedisse retoques em alguns dos ingredientes e supressão de outros. Sempre, porém, havia o sucesso.

Como salgadinhos deitados ao chão, as receitas foram envelhecendo. Aí, pior do que envelhecer foi tornarem-se comuns. Enjoou. O que parecia tão diferente virou mais um pastozinho sem mais nem menos.

Hoje, como sozinho meus pratos. Iguais a Baconzitos, Chips, Ruffles ou Doritos jogados ao vento, as receitas voaram e ficaram somente na minha cabeça. Saco, sanduíche e salada são os únicos pratos que sei fazer.

Achei que ia matar a tua fome.

Mas os ingredientes ficaram pelo caminho.

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