LOCAL: UM BPM DA BRIGADA MILITAR
— Então, major, o problema…
(Toca o celular do oficial.)
— Com licença. Alô? Ãhn? VÃO TOMAR NO CU TODOS VOCÊS!
***
LOCAL: REDAÇÃO
(Toca o telefone.)
— Redação.
— Alô! Eu tô aqui em Alvorada. Mais tarde vou pra Porto Alegre, sabe que ninguém lá quer outro no meu lugar, né? Eu sou vigia da rua há muitos anos. Não querem trocar.
— Ah. Seu Fulano. Eu sei. Mas hoje não vai dar. Vamos marcar a entrevista para…
— Olha, sabe que eu também sei tocar gaita? Fiz uma música. Escuta só.
(Floin-fo-fo-fo-fo-florofofo-floin-floin-floin…)
***
LOCAL: PRÉDIO EM UMA AVENIDA DA CAPITAL
— Eu queria subir lá no último andar para tirar uma foto da casa abandonada que fica aqui em frente. Pode ser?
— Vamos lá.
(Uns 12 andares passam pelo elevador.)
— Bah. Mas isso aqui é o TELHADO do prédio.
— Sim. Vem até aqui.
— Bah, não dá, é muito alto. Vou fazer a foto daqui.
— Daí? Como assim? VAI FICAR UMA MERDA!
— ?
— VEM ATÉ AQUI!
— Não, não vou não.
— TUA FOTO VAI FICAR UMA MERDA!
***
LOCAL: REDAÇÃO
— Alô, Fulano?
— Não, é a mulher dele.
— Ele pode atender?
— Não. Ele tá dirigindo.
— Bom, eu ligo depois então…
— Peraí. Haha. Olha só, é um rrr-ru-ro (interferência na ligação)
— Como?
— Um rrr-ru-ro (interferência outra vez)! Hahahaha!
— Não estou entendendo, senhora.
— Hahahaha! É um buuuurro! Hahaha!
— Um burro?
— Sim! Hahahahaha! Tem um burro pastando aqui! Hahahaha!
— ???
— É um burro igual ao do Shrek! Hahahahaha!
***
LOCAL: REDAÇÃO
— Quantos anos completa o Mercado, hein?
— Cento e quarenta anos. É mais antigo do que Porto Alegre.
— Quê?
— Sim. Porto Alegre nem existia ainda e já tinham feito o Mercado.
***
LOCAL: UMA MERCEARIA DA CAPITAL
— E o que os teus clientes mais compram?
— Ah, muita coisa, principalmente produtos de limpeza.
(Entra um cliente. Ele pega uma garrafa de plástico.)
— Vou levar essa água sanitária.
— Viu só? — diz o proprietário, olhando para mim, sorridente.
— Eu também quero um joguinho.
Os olhos do dono se arregalam. Um funcionário leva o cliente até um canto e o último faz uma fezinha no jogo do bicho. O proprietário se volta para mim:
— Bah, não bota isso, né? Todo mundo faz. E eu nem ia te contar.
***
LOCAL: REDAÇÃO
— E quando é que começaram as obras?
— Quando começaram? Isso não importa. Eu até já esqueci. Foi em mil quinhentos e pouco.
— ?
— Isso não é pra botar. Vai lá e faz uma foto.
— Como?
— Faz uma foto. Quanto custa uma foto no jornal? Quanto é?
— Não é nada.
— Cem reais tá bom?
***
LOCAL: SALÃO DE FESTAS DE UM CLUBE DA CAPITAL
— Preciso fazer uma foto da senhora, pode ser?
— Já vamos. Sabe que eu fui diretora do colégio Beltrano da Silva?
(A mulher segura meu braço pela camisa.)
— Ãh, não.
— Também fui para os Estados Unidos e lá eu era tal coisa.
(Um jovem sobe ao palco e começa a sortear prêmios. Tira um nome.)
— André Mags.
Olho para o palco. Parece que disseram meu nome.
— André Mags — o cara repete.
— Opa, sou eu — dou meia-volta e pff, a mulher está me segurando.
— Mais uma vez. André Mags?
— Bah, sou eu, ei, eu!
A mulher não solta. Meu nome volta para o saco de onde tinha saído.
— André Mags não está presente.
***
LOCAL: INCÊNDIO EM UMA FARMÁCIA NO CENTRO
— Ei, bombeiro! Esse cheiro aí, o que que tá quimando?
— Ahmnhm… Viagra. Hahahaha!
— O véio que estiver fracote pode chegar ali e dar uma aspirada, então? Hahahaha!
— Aham! Hahahaha!
***
LOCAL: PLANTÃO DE DOMINGO NA REDAÇÃO
— Alô, redação.
— Boa noite. Eu não quero me identificar, mas tem algo estranho ocorrendo em Brasília.
— Sim? O que é?
— Eu ligo, ligo, ligo para a Polícia Federal e ninguém atende.
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4 Comentários
Outubro 28, 2009 às 4:07 am
Maravilhoso, André. Maravilhoso!
Outubro 31, 2009 às 6:39 pm
estou em prantos aqui.
Novembro 3, 2009 às 8:33 pm
Isso parece divertido, hein? He, he , he…
Novembro 21, 2009 às 4:15 pm
cara, ainda não parei de rir aqui.