Outubro 28, 2009...12:54 am

Não-ficção

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LOCAL: UM BPM DA BRIGADA MILITAR

— Então, major, o problema…

(Toca o celular do oficial.)

— Com licença. Alô? Ãhn? VÃO TOMAR NO CU TODOS VOCÊS!

***

LOCAL: REDAÇÃO

(Toca o telefone.)

— Redação.

— Alô! Eu tô aqui em Alvorada. Mais tarde vou pra Porto Alegre, sabe que ninguém lá quer outro no meu lugar, né? Eu sou vigia da rua há muitos anos. Não querem trocar.

— Ah. Seu Fulano. Eu sei. Mas hoje não vai dar. Vamos marcar a entrevista para…

— Olha, sabe que eu também sei tocar gaita? Fiz uma música. Escuta só.

(Floin-fo-fo-fo-fo-florofofo-floin-floin-floin…)

***

LOCAL: PRÉDIO EM UMA AVENIDA DA CAPITAL

— Eu queria subir lá no último andar para tirar uma foto da casa abandonada que fica aqui em frente. Pode ser?

— Vamos lá.

(Uns 12 andares passam pelo elevador.)

— Bah. Mas isso aqui é  o TELHADO do prédio.

— Sim. Vem até aqui.

— Bah, não dá, é muito alto. Vou fazer a foto daqui.

— Daí? Como assim? VAI FICAR UMA MERDA!

— ?

— VEM ATÉ AQUI!

— Não, não vou não.

— TUA FOTO VAI FICAR UMA MERDA!

***

LOCAL: REDAÇÃO

— Alô, Fulano?

— Não, é a mulher dele.

— Ele pode atender?

— Não. Ele tá dirigindo.

— Bom, eu ligo depois então…

— Peraí. Haha. Olha só, é um rrr-ru-ro (interferência na ligação)

— Como?

— Um rrr-ru-ro (interferência outra vez)! Hahahaha!

— Não estou entendendo, senhora.

— Hahahaha! É um buuuurro! Hahaha!

— Um burro?

— Sim! Hahahahaha! Tem um burro pastando aqui! Hahahaha!

— ???

— É um burro igual ao do Shrek! Hahahahaha!

***

LOCAL: REDAÇÃO

— Quantos anos completa o Mercado, hein?

— Cento e quarenta anos. É mais antigo do que Porto Alegre.

— Quê?

— Sim. Porto Alegre nem existia ainda e já tinham feito o Mercado.

***

LOCAL: UMA MERCEARIA DA CAPITAL

— E o que os teus clientes mais compram?

— Ah, muita coisa, principalmente produtos de limpeza.

(Entra um cliente. Ele pega uma garrafa de plástico.)

— Vou levar essa água sanitária.

— Viu só? — diz o proprietário, olhando para mim, sorridente.

— Eu também quero um joguinho.

Os olhos do dono se arregalam. Um funcionário leva o cliente até um canto e o último faz uma fezinha no jogo do bicho. O proprietário se volta para mim:

— Bah, não bota isso, né? Todo mundo faz. E eu nem ia te contar.

***

LOCAL: REDAÇÃO

— E quando é que começaram as obras?

— Quando começaram? Isso não importa. Eu até já esqueci. Foi em mil quinhentos e pouco.

— ?

— Isso não é pra botar. Vai lá e faz uma foto.

— Como?

— Faz uma foto. Quanto custa uma foto no jornal? Quanto é?

— Não é nada.

— Cem reais tá bom?

***

LOCAL: SALÃO DE FESTAS DE UM CLUBE DA CAPITAL

— Preciso fazer uma foto da senhora, pode ser?

— Já vamos. Sabe que eu fui diretora do colégio Beltrano da Silva?

(A mulher segura meu braço pela camisa.)

— Ãh, não.

— Também fui para os Estados Unidos e lá eu era tal coisa.

(Um jovem sobe ao palco e começa a sortear prêmios. Tira um nome.)

— André Mags.

Olho para o palco. Parece que disseram meu nome.

— André Mags — o cara repete.

— Opa, sou eu — dou meia-volta e pff, a mulher está me segurando.

— Mais uma vez. André Mags?

— Bah, sou eu, ei, eu!

A mulher não solta. Meu nome volta para o saco de onde tinha saído.

— André Mags não está presente.

***

LOCAL: INCÊNDIO EM UMA FARMÁCIA NO CENTRO

— Ei, bombeiro! Esse cheiro aí, o que que tá quimando?

— Ahmnhm… Viagra. Hahahaha!

— O véio que estiver fracote pode chegar ali e dar uma aspirada, então? Hahahaha!

— Aham! Hahahaha!

***

LOCAL: PLANTÃO DE DOMINGO NA REDAÇÃO

— Alô, redação.

— Boa noite. Eu não quero me identificar, mas tem algo estranho ocorrendo em Brasília.

— Sim? O que é?

— Eu ligo, ligo, ligo para a Polícia Federal e ninguém atende.

***

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