Deus não existe fora da cabeça das pessoas que nele creem, disse José Saramago. Não lembro dos meus ídolos, talvez nunca tenha tido. Pensava idolatrar Kurt Cobain, mas se isso fosse verdade, teria ido ver o show deles no Hollywood Rock. Estava de férias, tinha uma grana. Não fui.
O que lembro, isso sim, é do João Gordo respondendo a uma pergunta do Serginho Groisman no antigo programa Matéria Prima, da Cultura.
- João, quais os teus ídolos?
- No gods, no masters.
Nem por isso idolatraria o vocalista do Ratos de Porão. (Se é para considerar alguém o máximo, considerarei meus amigos.) Também não sinto culpa alguma por ter deixado de ir a Curitiba no show da volta dos Pixies. Agora começou a venda de ingressos para o Franz Ferdinand, que estará por aqui só em março. Não tenho a menor vontade de comprar. Março é longe demais. Fui no Oasis, mas porque estava sem nada melhor para fazer.
E não é só música. O Gay Talese esteve na Flip. Fui? Se estivesse no Rio, até dava uma esticada em Paraty. Viajar ao Rio só por ele? Não. David Lynch palestrou na Ufrgs. Nem mexi o pé. Assisti depois na TVE.
Não passa de preguiça? Tanto faz. É muito bom não ter deuses ou mestres. É a plenitude do livre-arbítrio.



