Sempre que acordo os segundos passam rápido demais, parecem parte de uma unidade de medida muito mais curta. Consigo alcançar o tempo por volta das 10h.
“Ele se foi”, diz o cara com cabelo rockabilly da banda Glasvegas em um clipe meio preto e branco em um país preto e branco e frio. Se desse, eu estaria contigo na Escócia para tirá-lo da letra dessa música e buscá-lo de volta para ti. Só que ultimamente você fala com sotaque irish e eu invisto no cockney.
— Hey, give me a bee. Now.
Me senti feliz no salão vazio de um restaurante perdido no fim do mundo. Eu escrevia em um laptop e fumava um cigarro. Olhei para o som que vinha das escadas e o fotógrafo apareceu. Pedi uma foto para ele.
— Como se eu fosse Charles Bukowski.
Ele fez estalar o obturador.
Ele se foi, querida, ele se foi. Nas datas de outubro também vou felicitar meu irmão e lembrar do dia 21, em que decidimos ficar juntos. Fiquei mais velho e vou te mostrar na foto. Olha bem para ver como fiquei mais velho.
— Hey, I’m a man, you know?
Quando acordo os segundos passam rápido. É um pedaço do passado que revivo. O passado sempre passa voando por nós.
— Olhei no espelho e pensei: mas eu estou velho — foi o que me disse o velho que encontrei em alguma dessas entrevistas que nós repórteres fazemos.
— E foi nesse momento que você percebeu que estava velho?
— Sim.
Tudo passa como se estivéssemos acordando.



