Tem horas em que o mundo para de rodar e ficamos parados. Não me sinto bem assim, fincado no chão, sem poder fazer movimentos. É preciso um bombardeio para fazer tudo voltar a girar.
Uma hora pareceu ser legal ser Mad Max, cruzar a Austrália de V8. Só que Mad Max só existe depois que Jesse e o filho de ambos foram mortos.
Não quero ter um filho igual a Ben Lovatt. David e Harriet passaram o inferno por causa dele.
Nem Max nem Lovatt. A eterna insatisfação me prende. Mas às vezes também faz mover, bombardeia.
— Em todo lugar de onde eu volto eu moraria — comentei com um colega.
— Isso aqui é interior — ele concordou.
— Interiorzão do mundo.
Na verdade, não importa se é interior. Importa se as coisas seguem em movimento. Pois em busca de movimento mexi no baú das profundezas do disco rígido da minha máquina. Resgatei um passado de dez anos.
Quando você olha para você mesmo de anos atrás, não acredita no que vê. “Pensei que fosse melhor do que é” é uma das considerações, assim como ”é preciso melhorar diversas partes desse texto, quem sabe até mudar tudo”. Não escrevo bem estando preso ao chão, meu coração bate em uma jaula.
Mudar o texto da história da vida parece, às vezes, que seria mais eficiente. Isso, porém, não existe. Existe, pelo menos, o MP3 de Waiting for the rapture, que me serve de bombardeio quando as guitarras começam a berrar nesse tal de Dia do Rock.
Vale ressuscitar coisas do passado para mover o presente?
Estou preso na cidade Agora são três da manhã e você está comendo sozinho O coração bate em sua jaula



1 Comentário
Julho 25, 2009 às 9:02 pm
Também me sinto presa, com os pés fincados no chão, tento sair, vejo tudo passar, eu tento alcançar, mas meus pés não se mexem. Em qualquer lugar que eu esteja, me sinto paralisada, apesar da vontade de sair voando. Em qualquer lugar. E sempre quero estar lá e não aqui, até chegar lá e querer ficar aqui. Porque quando a gente fica preso no chão só vê o que tá perto e sonha com o que tá longe.