Abril 18, 2009...4:17 am

Eu torcia para o mundo acabar

Ir aos comentários

Sempre tive uma fixação pelo fim do mundo. Uma época, desejava intensamente uma Terceira Guerra Mundial, com mísseis nucleares caindo por toda parte e zerando a humanidade. Quando o Mondale perdeu para o Reagan, vislumbrei o fim dos tempos. Combinei com uma menina: quando caírem os mísseis, seja que dia for, que horas forem, vamos nos encontrar em X lugar. E aí, como se a vida fosse filme, a gente se salvaria, em detrimento do restante da humanidade.

Por que isso?

Porque seria bem fácil viver em um mundo sem mais ninguém. Haveria transporte, carros espalhados pela terra, navios, aviões, moradia, prédios com todos os eletrodomésticos dentro, alimento, lojas com comidas enlatadas aguardando uma boca, quem sabe umas hidrelétricas funcionando e algumas geladeiras com comidas congeladas.

Seria como em Eu sou a lenda, ou algo como Cegueira com aquele mundo abandonado mas contendo um só personagem, ou o livro Blecaute, do Marcelo Rubens Paiva, ou os quadrinhos do Valerian, o agente espaço-temporal. Um reflexo pessoal de anti-sociabilidade e preguiça, acima de tudo. E algo de bisbilhotice – catar fotos, vídeos, cartas de desconhecidos por apartamentos abandonados, por exemplo. E seria como as pequenas coisas que se acha o máximo quando se vai morar sozinho, tipo ficar de cueca na sala, usar o banheiro com a porta aberta e beber água no bico da garrafa, com a porta da geladeira aberta.

Mas hoje isso parece apenas uma ideia tola para mais uma ficção repetitiva. A chuva de mísseis não me levaria a lugar algum, nem àquele meio do caminho em que não encontraria aquela garota porque ela esqueceu daquela promessa minutos após ter sido proferida porque era absurda e ingênua. Se em Antes do amanhecer/Antes do pôr-do-sol não aconteceu, com um motivo nobre, como daria certo uma debilidade assim?

Hoje quero estar com pessoas por perto, quero não saber o que há depois da hecatombe, quero que o mundo fique existindo, ao menos por um tempo.

Por que isso?

Na verdade, porque uma hora um de nós dois, últimos representantes da raça, iria morrer.

Meu amor, não morra antes de mim.

Deixe uma resposta