Janeiro 14, 2009...8:29 pm

Dor de olhar estrelas

Ir aos comentários

Olhei para as estrelas pela primeira vez sabendo que eram estrelas em um tempo que passava devagar e levava-se anos para fazer aniversário. Foi depois de ver um livrinho que mostrava a missão da Apollo à Lua. Não sabia decifrar as palavras que legendavam os desenhos, mas eles contavam tudo.

O satélite natural nunca pareceu tão próximo como naquele tempo. Imaginava que o astronauta teria como botar o braço para fora da nave durante a descida à Terra, esticá-lo e abanar. Poderíamos ver o membro brotando do céu aqui no solo.

O pescoço endurece assim que fixo o olhar para frente, para os lados, para baixo, para trás.

Em um dia se acredita que o sanduíche com a marca Sanduíche do Super-Homem pode fazer voar. Em outro, se conclui que alguém com superpoderes nunca usaria um uniforme tão ridículo.

Aí filmes como Corpo Fechado passam a fazer sentido e legitimam pela arte a nova crença nas coisas terrenas. Super-heróis perdem o glamour, deus deixa de existir, Papai Noel vira um plano para a educação mitológica de um futuro filho, terror passa a ser os mortos-vivos dos filmes, e não as bruxas.

Olhar para a frente, para os lados, para baixo e para trás é questão de sobrevivência. As orelhas podem até se mexer, resquício dos movimentos ancestrais na procura pelos predadores.

Com essa herança toda vem uma dor no pescoço.

Uma dor que dá quando se tenta olhar para o céu e catar estrelas.

Deixe uma resposta