Ganhei um aquário com um peixe. Recebi a receita do remédio para a inflamação no joelho. O aquário ficava em cima de uma estante difícil de alcançar. A receita continha uma substância alérgica difícil de metabolizar. O pai disse que eu podia subir na cadeira. O médico disse que a quantidade da substância era insignificante. [...]
Entradas do Janeiro 2008
Janeiro 24, 2008
Eu sangro nos dias de re-começo*
Mais alto do que o inferno, um som de sino, atrás das janelas e dos meus ouvidos, chega a sacudir meus dentes. E, enquanto isso, me alimento como os vampiros e derreto se a luz arromba a persiana. E eu sangro, sangro, sangro e bebo ou meu sangue ou alface com tomate e muito, mas [...]
Janeiro 22, 2008
Com a barra de ferro no estômago e um fósforo aceso na uretra
Olhei o tempo. Ele parecia uma longa faixa de praia no inverno. Virei as costas, ficou tudo escuro e assim senti como seriam os próximos dias. Na noite eu fiz um montinho de areia para deitar a cabeça e descansar um pouco. Ela chegou e sorriu, e riu, mas sentia muita dor com aquele pedaço de [...]
Janeiro 19, 2008
Também morrem os verões*
Na direção do mormaço, estendi meu braço, toquei e peguei álbuns que apenas minha mãe espera envelhecer o corpo para virar as páginas e se imaginar moça, e ver os filhos pequenos de novo, como tudo era feliz e aconchegante em um apartamento apertado com cheiro de café e de gente que dorme encolhida. Como agora esses [...]
Janeiro 15, 2008
A morte eu vi que chegou pela boca
Eu parei de morrer por alguns meses. Voltei a morrer às 2h10min da madrugada de sábado, 12 de janeiro, quando enxerguei, por entre a comida mastigada, os dentes pretos de Vovó. Estavam piores do que no hospital, em agosto, quando ela, puro osso, pele envelhecida e fedor, superava por pouco uma mortalha. A filha voltou de viagem [...]
Janeiro 8, 2008
Silêncio cimentado na posteridade
Tentativa de escrever sem música. Os dedos deixam as palavras duras, sem emoção. De tempos em tempos é preciso tocar na arte para amolecer o coração. Mas todas as músicas foram tocadas exaustivamente, todas as interpretações foram dadas para todas as letras mais dramáticas. Foram tão dramatizadas que perderam seu sentido.
Guardo as aflições para serem destiladas [...]
Janeiro 4, 2008
Graham Hess interpretou corretamente a frase derradeira da mulher que morria
A mulher de Graham Hess estava morrendo. Sua última frase: “Bata forte”. Anos depois, o irmão mais novo de Hess, Merrill, pegou um taco de beisebol que estava em seu suporte na parede e bateu forte diversas vezes contra o alienígena que ameaçava a família. O resumo da fé, para o pastor Hess, que a havia [...]



