O dia estava maravilhoso depois de uma semana de chuvas e fui à Redenção terminar de ler Quando os Adams saíram de férias (Mendal W. Johnson). O dia estava maravilhoso depois de um temporal e Barbara foi levada do casebre para o pátio para ser morta. Foi mais de uma semana de torturas físicas e psicológicas produzidas por um grupo de cinco adolescentes e crianças contra sua babá de 20 anos. Machucados, estupros, privações e humilhações. Não sei de onde a Jujuca tirou que essa história é real, quiçá autobiográfica. Isso não importa. Mesmo sendo ficção, a gente sabe do que o ser humano é capaz. O sol estava maravilhoso. Havia tanta gente em volta que deixei os olhos não passarem do marejamento. Lágrimas eram para Barbara. Eu tinha razões bem menos drásticas para chorar. Pensei um pouco e decidi caminhar. No trajeto do espelho d’água até o banheiro passou pela cabeça a idéia, da Jujuca e minha, do filme em que um garoto pré-adolescente faz sexo com prostitutas adultas e lidera uma gangue de adultos. O estado psicológico da juventude norte-americana, os ataques de jovens armados em escolas. Até chegar em casa, os pensamentos vagaram bem mais. E percebi que tudo o que não quero é machucar alguém. De qualquer forma que seja. Destruí uma certeza, também. Achava que os filmes e literatura sobre violência levavam unicamente a mais violência. Dependendo de como é contada, a história alcança seu objetivo de emocionar e trazer mudanças. Se não for gratuita, pode dar certo. (Por isso hoje eu odeio o Quentin Tarantino.) Quero ser apenas bom, bom com todos. E seguir em frente para que um dia eu não veja a morte como uma privação de coisas não feitas a tempo.
Junho 16, 2007...8:23 pm
Dia maravilhoso de sangue e dor
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4 Comentários
Junho 16, 2007 às 10:59 pm
Sério, André, que texto lindo esse! De se emocionar
Então o livro é bom! Mais um para a listinha básica hihihi que só aumenta, por sinal.
sorry a sumida bloguística, falta de tempo e excesso de cansaço são os principais culpados. Mas eu estou na volta
bjs
Junho 16, 2007 às 11:38 pm
Emudeci-me.
Junho 17, 2007 às 3:46 pm
tu conseguiu sentir a mesma coisa que eu. eu não consigo ser má, mesmo que as vezes me vanglorie dizendo que sou sádica. é vendo e lendo coisas terriveis que percebo o quanto isso me causa repulsa. um beijo André, e por motivos que só nós dois conhecemos (eu acho..hehe) quando li este livro lembrei de ti.
Julho 3, 2007 às 12:02 am
[...] não tem nome, e confesso que nas páginas finais as lágrimas brotaram nos olhos. Ao contrário do André, que me indicou a leitura e teve que segurar os olhos marejados, eu estava em casa, sozinha e [...]