Maio 22, 2007...4:41 am

Ciúme move o mundo

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O túnel, do argentino Ernesto Sábato, é o melhor livro que li sobre ciúme. Ciúme, o inferno do amor possessivo, do nouvellevagueano Claude Chabrol, é o melhor filme que vi sobre ciúme. Em ambos a paranóia ciumenta é destilada amplamente pelos autores. Sempre a imaginação, sempre a histeria e a injustiça contra a mulher, que, aparentemente, é inocente. Mas como julgar? Não seriam os caras, enfim, CHIFRUDOS? Não importa. Ao final do filme, ao final do livro, tudo é muito nebuloso. Afinal, Capitu traiu ou não Bentinho em Dom Casmurro, de Machado de Assis? É a mesma coisa. Ao contrário, em Bonitinha mas ordinária, peça de Nelson Rodrigues e filme de Otto Lara Rezende, a pretensa inocente na verdade é uma sacana. Mas com a condescendência do noivo chifrudo, que a leva para ser currada por um monte de negões gordos – “me fode, negro” é uma das frases mais clássicas do filme. Tem também “mineiro só é solidário no câncer” e ”ninguém mais dá bola pra cabaço”. O mais foda, porém, é um discurso proferido pelo PEIXOTO (é esse mesmo? Rodrigueano demás!): “Toda a família tem um momento que começa a apodrecer. Percebeu? Pode ser a família mais decente, mais digna do mundo. Lá um dia aparece um tio que é pederasta, uma irmã que é lésbica, um pai que é ladrão, um cunhado que é louco. Tudo ao mesmo tempo, tá ouvindo Edgar? Acaba. Com a minha autoridade de bêbado, te digo: a família da minha mulher, da tua noiva, começou a apodrecer. Nós, eu, você também, Edgar”. Isso tudo porque quando se descobre que uma pessoa é MAU-CARÁTER, perde-se todo e qualquer amor e, conseqüentemente, todo e qualquer ciúme. Ao menos no meu caso.

1 Comentário

  • Hummm, já gostei da dica para o livro, vou colocar na minha lista de desejos da Cultura. Adoro a temática do ciúme, é interessante até que ponto pode-se chegar por conta desse sentimento… E bem-vindo de volta ao blogroll! Está devidamente linkado nos meu dois blogs :)


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